.: Não sou nada :.

"Não sou nada. Nunca serei nada, não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo." (Álvaro de Campos)

Não sou nada, mas sou única. Igual a mim própria, referência daquilo que me rodeia, de tudo o que absorvo, escuto, sinto, reinvento... Sou inocente e sou pecadora, céptica de boas intenções reticente a falsos remendos. Destruo intencionalmente, mas acredito na construção de algo melhor. Numa Vida mais consciente, num Ser mais tranquilo, num Existir mais Humano.

[5000 dias antes, 5000 dias depois e o agora]


Nascida na era dos sintetizadores, cresci ao ritmo sincronizado de batidas industriais, rodeada de estruturas metálicas e plataformas betonicas. Desenvolvi as minhas ideias em cabos de cobre e fibra óptica e sempre senti que estamos em mudança, sempre estivemos e em mudança continuaremos.


Há 5000 mil dias decidi dedicar todo o meu trabalho e energia nesta rede inesgotavelmente esgotante. Tentei acompanhar o seu desenvolvimento e ir mais além num sentido positivo e proactivo. Devo à tecnologia as grandes epifanias que tive ao longo do meu percurso e com ela quero ter muitas mais. A era da informação é um desafio constante, ganhou vida própria e é da responsabilidade de cada um de nós evoluí-la de forma a resolver ou pelo menos minimizar os erros cíclicos da humanidade. Os desafios que hoje nos são apresentados têm proporções globais que poderão comprometer a nossa existência como individuo, a humanidade e no limite (num limite assustadoramente próximo) todo o ecossistema e tudo aquilo que denominamos por liberdade e vida. Sempre rodeados por mecanismos que nos ajudam a alcançar os nossos objectivos e a ultrapassar todos os obstáculos, olhamos a tecnologia como um dado adquirido, como nossa pertença e nossa posse.


Falando especificamente da web, que num curto espaço de tempo passou de um projecto militar, para depois ligar instituições de ensino e foi paulatinamente absorvendo mais instituições, serviços, ideias, negócios, pessoas... observamos que nos últimos anos, em particular na ultima década a sua utilização explodiu. A cada ano a cultura e conhecimento produzido é aumentado em 30% e é medida e quantificada em milhões e exabytes, 75% de toda a informação é criada por indivíduos e milhões de utilizadores encontram-se agregados em redes, fascinados pela partilha e pela magia da hiperligação.


De edifícios repletos de válvulas passamos para grandes caixas, destas para caixas ainda mais pequenas e destas nano caixas com as quais podemos fazer tudo o que é passível de ser feito na REDE. ELA extravasou e saiu das caixas invadindo uma panóplia de objectos e superfícies, todo o tipo de superfícies, ecrãs, mesas, paredes... com aplicações fluídas e híbridas que passeiam no limiar da nossa capacidade imaginativa e de processamento. Adaptamos a nossa vida e assistimos a transformações físicas e cognitivas. Em vez de reter reagimos, relacionamos, interligamos, quantificamos, reestruturamos, transformamos-nos e reinventamos-nos...


Queremos todo o espaço e todo o tempo e por isso encurtámos distâncias e tentamos enganar as horas, vivemos mais, sentimos avidamente... temos as nossas memórias, emoções e trabalho guardados em discos rígidos e disponíveis na REDE, partilhamos a nossa existência e para as nossas perguntas obtemos milhões de resultados em menos de 0,18 segundos. A informação tornou-se um bem precioso e algo que é necessário guardar e transmitir, os dados estão interligados a uma escala global e tudo é de toda a gente numa consciência cada vez mais interligada.


5000 dias depois paro e penso no que me reserva os próximos 5000 dias, o que eu quero fazer, o que posso fazer, o que queremos fazer e o que podemos fazer com todo este potencial muito dele já materializado mas pouco explorado. É certo, estamos num caminho sem retorno, a mudança é irreversível, já está em progresso e é necessário encaminha-la no melhor sentido possível.


A REDE irá continuar a crescer e desenvolver-se. Onde quer que estejamos ou com quem quer que estejamos saberemos a historia e as estórias. Em consequência, é necessário uma consciencialização de cada ser humano como individuo e ser social, é necessário transparência, verdade e trabalho. A libertação de artificialismos e preconceitos é imperativa para que a rede e a tecnologia alcance o sua génese utópica. Penso que as coisas irão no sentido de um desenvolvimento cada vez mais sustentável, respeitando as necessidades do individuo e daquilo que o rodeia, a vida, as coisas simples e o que de facto é importante. Haverá muitos avanços no que respeita à cibernética. As máquinas humanizar-se-ão, a ciber segurança será pratica individual comum, a computação humana intrínseca a cada um de nós. A REDE seremos nós e nós seremos a REDE, numa simbiose cósmica de impulsos eléctricos e transmissão de dados e emoções.


Deixaremos de nos preocupar com futilidades... compras, impostos, burocracias e problemas menores ficarão ao encargo da REDE, e todos os aspectos da nossa vida estarão conectados a ela e ao mundo, a nós caberá o papel de libertar a mente para encontrar melhores soluções e optimizar a resolução de problemas, mais do que ideias, partilharemos sonhos, vontades, atitudes. Criaremos verdadeiros e novos mundos virtuais. Os jogos e programas ganharam outra dimensão, o trabalho será um prazer e um comportamento natural, sem horários e obrigações. A REDE será como que omnisciente e nós também através dela e alcançaremos o sonho da nossa condição humana, a imortalidade.

{Os próximos 5000 dias da web | Tecnologias Dinâmicas de Internet | MCMM | UA }


{criatividade}

O que é a criatividade?
Apesar das inúmeras vezes em que esta questão me foi colocada, gelo sempre quando me fazem esta pergunta. Afinal, o que é isto de sermos criativos? A criatividade é um dom, é algo inato ou é algo que se aprende e desenvolve?
Responderia com argucia a esta pergunta se tivesse nascido criativa ou se tivesse desenvolvido esta capacidade, como não fiz nem uma coisa nem outra limito-me a parafrasear os outros.
De facto, todos nós, até o mais céptico e purista cientista, nasce com um potencial criativo, não tendo contudo esta capacidade como um bem adquiro... é necessário trabalha-lo e estimula-lo. Como? Como tudo na vida, com saber, experiência e verdade, como diria Franz Schubert "I try to decorate my imagination as much as I can", ou seja, temos que encher as nossas memórias e as nossas vivências, aquilo que faz de nós humanos e seres únicos, como toda a espécie de penduricalhos e berlicoques, claro que sem cair no absurdo do fútil, superficial e desnecessário. É necessário questionar todas as verdades e regras estabelecidas, de modo a encontrarmos novas perspectivas, diferentes abordagens e resoluções diferentes e mais eficazes para os problemas do imediato e para aqueles problemas que são transversais a gerações e povos.
Relativamente ao resto desta mensagem sejam criativos...

ser

“Depois de algum tempo aprende-se a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprende-se que amar não significa apoiar-se, que companhia nem sempre significa segurança, e começa a aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança; aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo, e aprende que não importa o quanto nos importamos, algumas pessoas simplesmente não se importam… aceita que não importa o quanto boa seja uma pessoa, ela vai magoá-lo de vez em quando e precisamos de perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais, e descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas num instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida; aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que temos na vida, mas quem temos na vida, e que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que eles mudam; percebe que com o seu melhor amigo e pode fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem mais se importa na vida desaparecem muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vemos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está a ir, mas se não sabe para onde está a ir qualquer lugar serve. Aprende que ou controla seus actos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que mais espera que o calce quando cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se; aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que se aprendeu com elas do que com quantos aniversários celebrou; aprende que há mais dos seus pais em si do que supunha; aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são ilusões; poucas coisas são tão humilhantes… e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando se está com raiva se tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama da maneira queria que a ame-se não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém; algumas vezes temos que aprender a perdoarmos-nos a nós próprios. Aprende que com a mesma severidade com que julga, será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, plante seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores, e aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
Descobre que realmente a vida tem valor e que temos valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.”

{William Shakespeare}

{sad - Syntomatic affective disorder}

perco-me em frames e memórias outrora doces, agora ácidas e pútridas. nulidades de si próprias esvaziadas de conteúdo sem razão. perdi a alma, o alento e estou de luto. congelo sem saber como proceder. Sou o nada, o vazio e a ausência. revelo a contradição de toda a existência, não sigo regras nem compreendo premissas. Sou uma antítese e uma metáfora. perdi o sono e a fome e tenho uma vontade irresistível de me perder... de esquecer, de desaparecer... evaporar, mudar... sei lá... algo que não me lembre do meu Ser e o meu Querer.





" Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.

Sou uma sensação sem pessoa correspondente,

Uma abstração de autoconsciência sem de quê,

Salvo o necessário para sentir consciência,

Salvo – sei lá salvo o quê... "

Insónia - Álvaro de Campos (Pessoa)