{random poetry #66}


my friend, my friend, i was born
doing reference work in sin, and born
confessing it. This is what poems are…
Sexton, A., from “With Mercy for the Greedy,” in The Complete Poems (1981)

if there be sorrow
let it be
for things undone
undreamed
unrealized
unattained
to these add one:
love withheld
restrained
Evans, M., in If there be sorrow


owning your own feelings,
rather than blaming them on someone else,
is the mark of a person who has moved from contracted
to expanded awareness.
Chopra, D


[ acknowledge me ]




"honey, anything can be bought. 
it's a buyer's market with a price tag on everything. 
all you got to know is just how to find the tag."
in Come Wander with Me, The Twilight Zone  (1964)



7 despertadores, com intervalos de 7 minutos a repetir 7 vezes cada um, é o barulho da rotina que nem te dás ao trabalho de quantificar. acordas tarde com o sabor na boca da pressa de quem não vai para lado nenhum. preparas 250 gr. de cereais misturados no pouco que sobra da gosma da esperança, 3 bagas de goji, 2 nozes e uma colher de chá de sementes de chia. algum alento, alguma energia, pouca fé. sais de casa com a sensação que te esqueceste de algo importante, trancas a porta.
meia hora a pé, 20 minutos de autocarro, 5 segundos de elevador e 50 000 cliques depois continuas a vasculhar na memória o que deixaste perdido nas gavetas, no armário, debaixo da cama ou em cima da mesa, mesmo à vista, à espera de ser encontrado.
vais almoçar. 3 minutos e meio é suficiente para aquecer a comida. carregas no botão e deixas as micro ondas penetrarem nos alimentos e aquecerem as partículas dos poucos nutrientes que sobreviveram à fervura. talvez ficou pendurado no cabide da casa de banho, ou no banco ao pé da lareira. o sinal sonoro da caixa electromagnética, semelhante às campainhas antigas dos correios, assinala que o conduto já está quente, pronto a ser degustado. mas a fome já não é nenhuma.
25 000 cliques, 3 relatórios, 2 briefings, um deadline até ao final do dia e o único pensamento que te deixa nervoso é não saber o que te falta. ficou em cima do sofá ou na banca da cozinha.
corriges os bugs, compilas o projeto e envias em anexo a produtividade. 
sorris. 
às vezes esqueceste que gostas do que fazes, que cada toque do despertador tem uma melodia diferente, que se repete síncrona e assincronamente criando uma nova melodia todos as manhãs. não te lembras que tens para onde ir, e mais importante que tens onde ficar. não reparas que cada cereal tem uma cor diferente e que o sabor varia conforme o que lhes juntas. não estás atento à brisa ora suave, ora gélida. ficas indiferente às pessoas do autocarro que têm histórias distintas (mas todas elas interessantes) e ao elevador que, por norma, está avariado. não escutas as piadas dos colegas, e nem sempre dás o valor devido ao café da manha que partilhas com os amigos e aos risos contagiantes de quem anda cansado mas não desiste. 
não te vem à memória que às vezes a única coisa que te falta é perspectiva.

love your work, work your love.