[lisbon]

      




Sempre que venho a Lisboa sinto o aperto de todos os SEs  das encruzilhadas da vida com que me deparei.
Gosto dos jardins, dos azulejos, do fado, da arte, do design, da cultura, da proliferação de ideias e modos de vida, da sardinha, das oportunidades, das vistas, da LISBOA... mas nesta cidade "apenas consigo estar, não consigo viver"... custa-me respirar no frenesim dos decibéis do transito, nos cheiros estranhos e nauseabundos dos transportes e das ruas cosmopolitas mas degradadas, tenho dificuldades em suportar o calor emanado pelo cimento, o alcatrão e o aço e cansam-me as distancias (onde tudo é tão perto)....
e ver tanta gente, tantos destinos traçados, vidas encruzilhadas e não encontradas, almas perdidas, errantes e solitárias, faz-me sentir ainda mais perdida...


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[Lisboa]

Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores...
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
A força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.

{Álvaro de Campos - Fernando Pessoa}


       

{random poetry #6}

{Knowledge}

Now that I know
That passion warms little
Of flesh in the mould,
And treasure is brittle,

I'll lie here and learn
How, over their ground,
Trees makes a long shadow
And light sound.

[Louise Bogan (1897-1970)]

{!random}

   
 “An artist's duty is rather to stay open-minded and in a state where he can receive information and inspiration. 
You always have to be ready for that little artistic Epiphany.”

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{Sad Waters}
(1986)

Down the road I look and there runs Mary
Hair of gold and lips like cherries
We go down to the river where the willows weep
Take a naked root for a lovers seat
That rose out of the bitten soil
But sound to the ground by creeping ivy coils
O Mary you have seduced my soul
And I don't know right from wrong
Forever a hostage of your child's world




And then I ran my tin-cup heart along
The prison of her ribs
And with a toss of her curls
That little girl goes wading in
Rollin her dress up past her knee
Turning these waters into wine
Then she platted all the willow vines




Mary in the shallows laughing
Over where the carp dart
Spooked by the new shadows that she cast
Across these sad waters and across my heart

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“I'm a believer. I don't go to church. 
I don't belong to any particular religion, but I do believe in God. 
I couldn't write what I write about and be creative without a certain form of belief.”


[Nick Cave] 

   

[choices vs consequences]


“Honor isn't about making the right choices. It's about dealing with the consequences.”
[Koto, Midori]

tudo na nossa vida tem consequências. a roupa que vestimos, o adiantar de tarefas, o não ouvir o despertador, o lixo que separamos, o cigarro que acendemos, a mensagem que não escrevemos, as palavras que gritamos ou que não chegamos sequer a proferir, a flor que oferecemos, a palavra amiga, o abraço de consolo, a conta que esquecemos de pagar, o livro que não lemos até ao fim, o que comemos, a refeição que saltamos, a musica que ouvimos, os sítios que visitamos, as imagens que contemplamos, o que partilhamos e os segredos que deixamos enterrados na memória.
se vamos pela direita, pela esquerda, em frente ou se voltamos para trás.
o que seguimos e o que deixamos seguir.
o que permitimos, o que proibimos, o que censuramos, o que menosprezamos.
todas as responsabilidades, irresponsabilidades, impulsividades e todos os actos contidos.
tudo tem consequências, em nós, nos outros e no mundo.
é necessário prudência em todos os nossos actos e coragem para todos os seus efeitos.

“Nobody ever did, or ever will, escape the consequences of his choices.”
[Alfred A. Montapert]

{random poetry #5}



{The Beauty of Things}

To feel and speak the astonishing beauty of things - earth, stone and water,
Beast, man and woman, sun moon and stars.
The blood-shot beauty of human nature, its thoughts, frenzies and passions,
And unhuman nature its towering reality.
For man's half dream; man, you might say, is natures dreaming, but rock
And water and sky are constant - to feel
Greatly, and understand greatly, and express greatly, the natural
Beauty, is the sole business of poetry.
The rest's diversion: those holy of noble sentiments, the intricate ideas,
The love, lust, longing: reasons, but not the reason.

[Robinson Jeffers (1887-1962)]

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{A man said to the universe}

A man said to the universe:
"Sir, I exist!"
"However," replied the universe,
"The fact has not created in me
A sense of obligation."

[Stephen Crane (1871-1900)]

[don't listen to me, i'm just a voice inside your head]


de certo modo, todos ouvimos vozes, temos algo em nós que nos indica o que é incorrecto, o que é menos mal, a escolha certa e qual o melhor caminho a percorrer. todos temos um sentido de moral (à excepção dos psicopatas e dos mentecaptos), sendo que este é moldado por todo um conjunto de formas trabalhadas ao longo de séculos e que se vão alterando com mais ou menos intensidade no decorrer da história. mas a verdade (e ainda bem) é que estes padrões são muito distintos de individuo para individuo, o que trás a beleza da diferença mas o peso a incompreensão e inflexibilidade. se quando estes confrontos de padrões acontecem a comunicação é escassa, o resultado é o pior possível. só mentes abertas, pacificas e com capacidade de compreensão e vontade de diálogo poderão minimizar estas lutas milenares.

a verdade é que para mudarmos e sairmos da caixa (outside the box) temos que conhecer a caixa em detalhe, todas as arestas e vértices, temos que caber dentro dela, desdobrá-la e desconstruí-la, caso contrário apenas estamos a por a caixa numa posição diferente ou a mudar-lhe a tonalidade.

contudo, nem sempre saímos da caixa da maneira mais correcta. e quando saímos da caixa deveremos ter cuidado em não destruí-la pois poderemos mais tarde querer voltar para lá. não deveremos menosprezar o poder das caixas e caixinhas, nem devemos ficar petrificados perante o encanto das mesmas. devemos ser proactivos e cuidadosos e ter em mente que errar é humano, e como humanos, podemos errar.

"No, no, you're not thinking; you're just being logical."
[Niels Bohr] 

{random poetry #4}

  
{I Am Not Yours}

I am not yours, not lost in you,
Not lost, although I long to be
Lost as a candle lit at noon,
Lost as a snowflake in the sea.

You love me, and I find you still
A spirit beautiful and bright,
Yes I am I, who long to be
Lost as a light is lost in light.

Oh punge me deep in love...put out
My senses, leave me deaf and blind,
Swept by the tempest of your love,
A taper in a rushing wind.

[ Sara Teasdale (1884-1933) ] 
 

{it's official. i give up.}



desisto. não quero andar atrás de coisa nenhuma. de esperar o que não vai acontecer. de ter esperança naquilo que está perdido. desisto de correr, não dormir, desesperar. desisto de ouvir não e talvez e fica para depois. desisto de ti, daquele e do outro, tal como desisto de mim. desisto do capitalismo, do tiranismo e do fascismo, e de qualquer radicalismo ou ideologia de cariz prepotente. desisto de idiotas, e dos hipócritas e dos que não respeitam. desisto da mentira e do engano. desisto de compreender o que não é compreensível, do que não se pede ou se exige. desisto de dar provas e mais valias, o amor dispensa sacrifícios, não se força, acontece. e o amor não se confina à libido, ele é extensível a tudo o que nos rodeia e está presente em tudo o que fazemos.
só não desisto da vida porque ela vale por si própria e dispensa tudo o que é acessório e caprichoso.

{random poetry #3}

well, that's just the way it is....

sometimes when everything seems at
its worts
when all conspires
and gnaws
and hours, days, week,
years
seem wasted...
stretched there upon my bed
in the dark
looking upward at the ceilling
I get what many will considered an
obnoxious thought:
it's still nice to be
mariejjanne


[Charles Bukowski (1920-1994) poem adapted from You Get So Alone At Times That It Just Makes Sense]

{random poetry #2}


I know Not How, But As I Count

I know not how, but as I count
The beads of former years,
Old laughter catches in my throat
With the very feel of tears.

[ Robert Louis Stevenson (1850-1894) ]


♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂

Taking the Hands

Taking the hands of someone you love,
You see they are delicate cages....
Tiny birds are singing
In the secluded prairies
And in the deep valleys of the hand.

[ Robert Bly (1926) ]

♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂♀♂


"The real act of discovery is not finding new lands,
but in seeing with new eyes." 

[Marcel proust]


{random poetry #1}


"poetry comes nearer to vital truth than history"
[Plato]


A Walk

My eyes already touch the sunny hill
going far ahead of the road I have begun.
So we are grasped by what we cannot grasp;
it has inner light, even from a distance.

and changes us, even if we do not reach it,
into something else, which, hardly sensing it,
we already are; a gesture waves us on
answering our own wave...
but what we feel is the wind in our faces.

[ Rainer Maria Rike (1875-1926) ]



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"If there's no money in poetry,
neither is there poetry in money"
[Robert Graves]


:. sorry .:

sorry, you must be confusing me with some kind of machine.
really i don't have a chip in my brain.
and yes, i have to sleep...
sorry...



{See You Later, Alligator}

+- 40%

não, não vou eleger incompetentes. sim, tenho o direito a não votar, a dizer que não, a não participar neste sistema de palhaçadas continuas, fúteis, hipócritas e estupidamente corruptas. não acredito em cores ou ideologia decrepitas. não quero esquerdas, nem direitas, quero que o país ande para a frente e não se afunde e que tenha todas as cores!
é necessário programas, boas medidas, ideias inovadoras, gente idónea e competente... 
não, não pertenço à geração rasca, nem à geração à rasca, nem me considero parva, parva seria se ficasse burra e fechasse os olhos a esta manipulação consumista e inconsequente.
sim, quero construir uma vida, levantar um país e salvar o mundo, porque o poder da mudança está em todos nós e começa na nossa alma, mente e atitudes.

{Loneliness}

 
"Loneliness adds beauty to life. It puts a special burn on sunsets and makes night air smell better."
Henry Rollins
aprendes a estar sozinha. começas a reparar em coisas que nunca tinhas dado a devida atenção. como os teus passos numa caminhada ao fim da tarde, o teu coração exaltado no meio da noite, o vento leve de uma manha de primavera
falas com estranhos. percorres nas cidades, corres pelos campos, conduzes sem destino
ficas à deriva
arriscas, perdes, desiludes-te e encontras-te
aprendes, talvez, a viver.
 
 

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